Palestrante
Descrição
A Física de Partículas apresenta uma dinâmica de ensino singular quando comparada às demais áreas da Física: a aproximação entre docentes e cientistas. O presente estudo buscou evidenciar como o ensino e a divulgação da Física de Partículas surgem como uma necessidade intrínseca ao próprio desenvolvimento do campo, especialmente a partir da década de 1980, quando a comunidade científica passou a demandar estratégias de difusão de seus fundamentos teóricos e experimentais, tanto para fortalecer a legitimidade social de seus empreendimentos, quanto para formar novas gerações de cientistas. A análise de documentos, artigos e eventos históricos e educacionais revelou que o ensino da Física de Partículas emerge não só de movimento de reformas curriculares, mas também ações desencadeadas por laboratórios de pesquisa como o Fermilab, o SLAC e o CERN. Identificam-se duas ordens de aproximação entre docentes e cientistas. A 1ª ordem caracteriza-se pela produção colaborativa de materiais didáticos e propostas de ensino, tendo como marco o Fundamental Particle Interaction Chart Committee (FPICC) e seus desdobramentos nas décadas de 1980, 1990 e 2000, influenciando diretamente os trabalhos que consolidaram a Física de Partículas como temática de ensino no Brasil. A 2ª ordem tem como marco a ativação do Large Hadron Collider (LHC) em 2008, quando se institucionalizam programas de formação e divulgação científica, como as Escolas de Física, os Masterclasses Hands-On Particle Physics e o QuarkNet, culminando na criação do International Particle Physics Outreach Group (IPPOG). Os resultados evidenciam que o ensino da Física de Partículas consolidou-se como um campo híbrido de ensino e divulgação de permanente diálogo com seu campo de pesquisa originário, cuja identidade se constrói a partir da confluência entre as culturas escolar e científica, abrindo novas perspectivas para compreender a natureza e o papel social da ciência contemporânea.
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Palavras-chave
Física de Partículas, Divulgação, Ensino