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Com o aumento da luminosidade no LHC, a taxa de falsos múons (produzidos fora dos vértices de colisão) cresceu de tal modo que a banda passante do experimento poderia ser comprometida. Uma parte significativa da taxa de triggers de múons acontece nas extremidades do detector (tampas - end-caps). Partículas de baixa energia (principalmente prótons) produzem falsos triggers ao atingirem as câmaras detectoras de múons (TGC) nas extremidades. Para a região coberta por 1,0 < |η| < 1,3, o uso das camadas D do calorímetro hadrônico de telhas (TileCal), em coincidência com as câmaras de múons interna do TGC, pode reduzir essas taxas de triggers. Para este fim, o sistema TMDB (Tile-Muon Digitizer Board) foi projetado pelas instituições do Cluster ATLAS/Brazil e totalmente desenvolvido no Brasil, incluindo a sua confecção em hardware ( tecnologia FPGA). Após sua instalação, comissionamento e operação em 2018, a análise dos dados confirmaram que a incorporação do sistema TMDB no experimento melhorou a taxa de falsos múons no sistema de trigger, resultando em uma redução de 1,5 KHz do uso da banda passante, sem deteriorar significativamente a eficiência da detecção de verdadeiros múons no ATLAS.
Como trabalhos para a Run 3, que iniciará em 2022, novas atualizações do sistema foram necessárias. Primeiro, um novo formato de dados foi concebido para comunicação com o sistema de múons (TGC-Sector Logic). Um envio de “idle words” enquanto não há colisões no detector foram imprescindíveis para a melhora da estabilidade do link de comunicação com o sistema de múons, uma vez que tais palavras re-sincronizam a comunicação entre os sistemas. Outra atualização foi realizada no formato de dados do fragmento enviado para a ROS (ReadOut System) quando ocorre um sinal de aceite do nível 1 (L1 Accepted), incluindo a detecção de sinais na célula D5. Anteriormente existiam apenas a informação de deteção da célula D6 e da soma entre as células D5 e D6. Algoritmos novos de detecção estão sendo testados, como filtros de Wiener e redes neurais convolucionais (CNN) e recorrentes (RNN) do tipo LSTM (Long Short-Term Memory). Para a Run 3, também foi executado um novo cálculo (atualização) dos coeficientes dos filtros casados, algoritmo de detecção atualmente em operação no sistema TMDB.